terça-feira, 26 de maio de 2009

Entre comis e bebis


Era hora da fome. Pouco ou muito, estava na hora de comer. E pra lá seguia. Pro lugar da fome e da comida. Refeitório coletivo da empresa. Mesas aguardavam solitárias por um prato de comida. E assim se fez. Ela fez seu prato – se cheio ou vazio já não importa – e se sentou. Sagrada hora. Mais cedo que de costume, mais tarde que devia, comia sozinha e nem pensava em sair. Voltar ao batente parecia menos acalentador que um bom prato de arroz e feijão. Já havia passado um bom tempo. Era chegada a hora de se despedir. Cruzar os talheres e aguardar por um leite quente, já debaixo das cobertas. Mas este momento ainda levaria algumas horas para chegar. Já ia se despedindo das panelas e cumbucas quando seus olhos fitaram um alguém. Ídolo. Como se trata de palavra invariável quanto ao gênero, a face em questão vai seguir misteriosa. Não era bem um ídolo pessoal da pobre garota, mas alguém importante na sua escala hierárquica de níveis pessoais. Não há dúvidas de que, pelo menos naquele instante, a pessoa possuía um crachá que legitimava sua superioridade em relação a ela. Observava seu caminhar e suas preferências. No primeiro prato: salada. Por segundos, uma distração foi responsável por um dos maiores sustos que a humanidade já sofrera. Pelo menos naquele ambiente de refeitório. Ídolo vinha em sua direção e, sem nenhuma palavra ou suspiro se sentou ali. Sim, ali. Na frente dela. Em sua mesa. Na abrangência de seu círculo vital. Segundos de apreensão tomaram a pequena, que tinha pouco mais de um metro e meio. Sem rodeios, ele começava a disparar suas impressões sobre o cardápio do dia. Molhos, temperos e sucos atordoavam aquele ambiente surreal. Perguntara sobre suas preferências. Com uma desenvoltura surpreendente, a moça de cabelos claros versava sobre quitutes e adoçantes e ainda emendava outros assuntos. Era a vez das notícias do dia, logo seguidas por um comentário com a cozinheira que passava por entre as mesas verificando o gosto do cliente. Em um misto de dúvida quanto ao caráter daquela conversa, que começara sem mais nem menos, ela achou melhor parar. Havia esgotado seu potencial de simpatia em meio ao medo e angustia de fã que vivia naqueles minutos. Se despediu. Afastou a cadeira. E quando retirava o prato da mesa ouviu:
-Até mais, Camila.

Ela tinha ganhado o dia.

3 comentários:

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  2. aauhauhauhahuuhahuuhahu
    adorei seu blog camilinha! Como td q vc faz, está ótimo viu! =)
    Aliás, como tudo não, tirando o fato de não ter seguido em apresentações lotadíssimas no Bosque, mais precisamente na Jaula 9!
    auhahah

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