quarta-feira, 21 de julho de 2010
Da janela
Queria ver a vida da janela. E se possível, vivê-la, bem aqui do alto. Pouparia tantas vírgulas assim. É que as histórias que vejo aqui de cima são tão perecíveis que não há tempo de virgular. Da janela, uso mais exclamações. Mas, vez ou outra, abro uma exceção para a interrogação e me deixo pensar. Será que ele volta? Por outro lado, me falta coragem para colocar um ponto final naquilo que vejo daqui, tão distante. Me acalma. Então, faço concessões e vivo de reticências. É daqui da janela que vejo a banda do Chico passar cantando coisas de amor.
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