“Todo jornalista quando presencia um fato, logo imagina uma pauta”. Me senti de fora da generalização que ouvi hoje pela manhã. Pois no meu caso, eu logo imagino um conto. Ou quando mais inspirada, uma cena em preto e branco.
É que eu gosto de cenários, de personagens – vou além do fato. Mas não penso neles de forma puramente utilitária. Transporto-os para meu mundo de suposições. Em instantes, já os coloquei em cena e com as falas devidamente decoradas.
É que eu gosto é de gente. Mais de longe do que de perto; mas gente. Eu, que preciso tanto de raízes, me permito viajar nos sonhos dos outros vez ou outra.
E que delícia, (!) quando posso transformá-los em sonhos meus.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Poesia em Prosa
Descobri que esqueci como se faz poesia. Mas aí, me lembrei que ela está sempre adormecida no coração daquele que ama. Aí, me confortei e sussurrei pra poesia umas coisas que tão morando aqui no meu coração. Ela entendeu, e disse que eu posso te abraçar bem forte, que daí, ela faz a poesia pra você com o que tiver de melhor em mim.
Aí eu gostei.
Aí eu gostei.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Um suspiro de poesia
Esta semana, posso dizer que houve poesia. Poesia proporcionada pelo 8º Ferverestival – Festival Internacional de Teatro de Campinas. Realizado com muita luta por quem gosta e vive teatro - e com a ajuda de apoiadores (26, como sempre enfatizavam as organizadoras antes de cada apresentação) - grupos de Campinas, de outros Estados e de fora do país proporcionaram ao público de Campinas - apesar dos pesares, carente em arte - um suspiro de poesia. Como não assisti a todas as apresentações, não posso me atrever a fazer uma análise global. Mas posso dizer das coisas que vi.
Meninas, corram! Lotou o simpático e acolhedor Teatro do Sesc, mas decepcionou. Tinha tudo, mas falhou. Falou no texto, na direção de atores (apesar de ser um monólogo) e na expressão cênica. Falhou, sobretudo por ser pretensiosa. O espetáculo com um tema atual e muito explorado comercialmente (a luta - e loucura! - das mulheres para manter os diversos papéis exigidos pela sociedade: mãe, mulher, profissional, amante e tantos outros), tinha um público interessado e aberto a seu dispor. Um público a fim de ver novidade e de se encantar diante da arte. Mas o que se viu, durante e depois do espetáculo, foi uma pontinha de vergonha alheia. Entendem quando digo isso, não? Hahahaha
Enfim, apesar de tudo, a peça trouxe uma trilha sonora que, ao mesmo tempo, envolvia e dava (tentava dar...) dinamismo para a cena. Cheia de símbolos e com a pretensão de ser 'cult' demais, a peça perdeu seu brilho e desperdiçou um público cheio de boa vontade.
Já ontem, vivi uma das experiências mais gostosas como espectadora. Chegamos ao Espaço Cultural Semente, em Barão Geraldo, mais de meia hora antes de o espetáculo “Cravo, Lírio e Rosa” começar. Mas já não havia mais ingressos. Entramos na fila de espera. Mais de 40 minutos depois, tive a sorte (olha a raridade!) de ser a antepenúltima pessoa a ser chamada! Enfim, ingresso na mão e parti pra dentro. Um espaço de gente de teatro. Com cara e cheiro de teatro. Aí, já gostei!
Apesar de a plateia ser um pouquinho desconfortável (afinal, depois de esperar, em pé, durante 40 minutos, acho que precisava de um lugarzinho mais acolchoado pra sentar...). Tudo foi bonito: a criação daquela dupla de palhaços 'clownescos', o roteiro e o improviso, os artifícios cênicos e o jogo, em si, deixaram brilhando os olhos daqueles que nem precisavam entender a complexidade daquela criação para apreciar a boa arte. A dupla funcionava muito bem. Claramente inspirados no modelo de “O Gordo e o Magro”, o espetáculo deu um pouco de ternura a quem tinha perdido e renovou as esperanças de que é possível viver com poesia.
Ao final, as organizadoras fizeram um agradecimento emocionado.
Aplauso, de pé, por um longo tempo. Com a infinitude que dura a poesia.
*Cravo, Lírio e Rosa” homenageou os 25 anos do Lume.
*Meninas, corram! É uma montagem do grupo Nu Miollo, da Bahia.
O 8ºFeverestival começou no dia 31 de janeiro e termina dia 12 de fevereiro.
Meninas, corram! Lotou o simpático e acolhedor Teatro do Sesc, mas decepcionou. Tinha tudo, mas falhou. Falou no texto, na direção de atores (apesar de ser um monólogo) e na expressão cênica. Falhou, sobretudo por ser pretensiosa. O espetáculo com um tema atual e muito explorado comercialmente (a luta - e loucura! - das mulheres para manter os diversos papéis exigidos pela sociedade: mãe, mulher, profissional, amante e tantos outros), tinha um público interessado e aberto a seu dispor. Um público a fim de ver novidade e de se encantar diante da arte. Mas o que se viu, durante e depois do espetáculo, foi uma pontinha de vergonha alheia. Entendem quando digo isso, não? Hahahaha
Enfim, apesar de tudo, a peça trouxe uma trilha sonora que, ao mesmo tempo, envolvia e dava (tentava dar...) dinamismo para a cena. Cheia de símbolos e com a pretensão de ser 'cult' demais, a peça perdeu seu brilho e desperdiçou um público cheio de boa vontade.
Já ontem, vivi uma das experiências mais gostosas como espectadora. Chegamos ao Espaço Cultural Semente, em Barão Geraldo, mais de meia hora antes de o espetáculo “Cravo, Lírio e Rosa” começar. Mas já não havia mais ingressos. Entramos na fila de espera. Mais de 40 minutos depois, tive a sorte (olha a raridade!) de ser a antepenúltima pessoa a ser chamada! Enfim, ingresso na mão e parti pra dentro. Um espaço de gente de teatro. Com cara e cheiro de teatro. Aí, já gostei!
Apesar de a plateia ser um pouquinho desconfortável (afinal, depois de esperar, em pé, durante 40 minutos, acho que precisava de um lugarzinho mais acolchoado pra sentar...). Tudo foi bonito: a criação daquela dupla de palhaços 'clownescos', o roteiro e o improviso, os artifícios cênicos e o jogo, em si, deixaram brilhando os olhos daqueles que nem precisavam entender a complexidade daquela criação para apreciar a boa arte. A dupla funcionava muito bem. Claramente inspirados no modelo de “O Gordo e o Magro”, o espetáculo deu um pouco de ternura a quem tinha perdido e renovou as esperanças de que é possível viver com poesia.
Ao final, as organizadoras fizeram um agradecimento emocionado.
Aplauso, de pé, por um longo tempo. Com a infinitude que dura a poesia.
*Cravo, Lírio e Rosa” homenageou os 25 anos do Lume.*Meninas, corram! É uma montagem do grupo Nu Miollo, da Bahia.
O 8ºFeverestival começou no dia 31 de janeiro e termina dia 12 de fevereiro.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Não por acaso
Você entra no elevador. Como todos os dias. E ele sempre cheio. Aí, hoje, você encontra só uns três homens. Dois de terno e o outro de jeans e all star. E você.
Geralmente você não cumprimenta. Ninguém. Mas hoje foi diferente. Disparou um sorriso na medida: nem amarelo nem oferecido demais.
E pensa: “vai que o elevador para e eu fico presa aqui. Eu e eles. Tenho que me mostrar simpática, mas na medida. O suficiente para encantar os dois de terno (afinal, eles devem conhecer alguém importante e me arranjar um novo emprego depois de passarmos horas conversando e descobrirem o meu potencial para Relações Públicas. Já o de jeans... Bem, é ele quem vai arregaçar as mangas e dar um jeito de me tirar daqui. Vitoriosa”.
Título em homenagem ao lindíssimo filme de Philippe Barcinski que eu relembrei um pouco hoje pela manhã.
Geralmente você não cumprimenta. Ninguém. Mas hoje foi diferente. Disparou um sorriso na medida: nem amarelo nem oferecido demais.
E pensa: “vai que o elevador para e eu fico presa aqui. Eu e eles. Tenho que me mostrar simpática, mas na medida. O suficiente para encantar os dois de terno (afinal, eles devem conhecer alguém importante e me arranjar um novo emprego depois de passarmos horas conversando e descobrirem o meu potencial para Relações Públicas. Já o de jeans... Bem, é ele quem vai arregaçar as mangas e dar um jeito de me tirar daqui. Vitoriosa”.
Título em homenagem ao lindíssimo filme de Philippe Barcinski que eu relembrei um pouco hoje pela manhã.
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